Para quando fizer anos outra vez

Se fazer anos é ficar mais experiente, mais velho, mais entendido ao que se passa nas mentes e corações, se fazer anos é aumentar o apuro do gosto, é aprender a olhar para o mundo nos olhos e a senti-lo mais próximo, se fazer anos é dar um passo em frente no caminho da evolução, é ver uma flor e não pisá-la – as flores ficam mais visíveis aos mais maduros –, se fazer anos é pensar em construir mais que destruir, é pensar em amar mais que odiar, é viver mais agora do que ontem ou amanhã, é amar cada vez mais, é preocupar-se tanto com o corpo como com as emoções da mente de forma mais equilibrada, se fazer mais anos é tornar-se mais paciente, mais aberto a críticas, mais cheio de poucos mas verdadeiros amigos, se fazer anos é completar velhos ciclos e abrir novos, se é ter novas experiências, se é amar mais as crianças, aprender a apreciar os detalhes, entender e aceitar um pouco melhor a vida e o valor dos gestos, se é doar-se com mais generosidade ao mundo e às pessoas, se é aprender a olhar o outro com mais compaixão e para si mesmo com mais humildade, se fazer anos é aprender a viajar mais, a comer melhor, a despir-se inteiro, se é aprender a ouvir música, se é encontrar e reencontrar livros, se é festejar com os amigos queridos e com quem realmente amas, então hoje …………… ESTOU DE PARABÉNS!

O presente é uma dádiva

Passado é história, futuro é um mistério, o presente é uma dádiva e por isso é chamado de presente” O mundo está cheio de problemas. Haverá sempre problemas no mundo, haverá sempre problemas na nossa vida. Então, temos de entender que há problemas, que haverá problemas, que nunca virá o dia em que não haja problemas. E se alguma vez esse dia chegar, isso pode querer dizer que, provavelmente, estaremos mortos…

Tu não estás deprimido…

Tu não estás deprimido! Tu estás é distraído …
Distraído em relação à vida que preenche o teu ser, distraído em relação à vida que te rodeia: golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.

Não caias nessa, como caem tantos, que sofrem por um único ser  humano, quando existem cinco bilhões e seiscentos milhões no mundo.
Além do mais, não é assim tão mau viver só. Tu tens total liberdade de decidir, a cada momento, o que desejas fazer, e graças à solidão tu tens tempo de te conhecer melhor… o que é fundamental para viver.

Não faças como tantos, que se sente velhos porque têm setenta anos, e esquecem que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.

Tu não estás deprimido: estás distraído! Tu lamentas as tuas perdas… Perdas?! Tudo te foi dado! Não fizeste um único cabelo da tua cabeça, portanto nunca foste dono de coisa alguma.

Além disso, a vida não te tira coisas: apenas te alivia e liberta de muitas delas, para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude.
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola: o que tu chamas de problemas são apenas lições.
Tu não perdeste coisa alguma: o ente querido que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção. E não  esqueças que o melhor dele, o amor, continua  vivo no teu coração.

O amor tem mais valor que tudo! A minha mãe, na sua sabedoria simples, dizia: “a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas em excesso, e nos deforma, tornando-nos desconfiados”.

Faz tudo com amor e serás feliz. Aquele que faz o que ama, está benditamente fadado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural. Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor. Então terás a plenitude, onde tudo é possível sem esforço, porque entrará em ação a força natural da vida, a mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.

Deus deu-te a responsibilidade por um ser humano: tu! Dá felicidade e liberdade a ti mesmo. Só então conseguirás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros.
Lembra-te: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”. Então reconcilia-te contigo mesmo, coloca-te na frente do espelho e lembra-te de que a pessoa que vês é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a  felicidade é uma aquisição valiosa.

Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo.  Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, Don Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as  pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.

E se tu estás com cancro ou SIDA, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas: se a doença ganha, liberta o teu corpo, que é cheio de processos (tenho fome,  tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas)… Se tu ganhas, serás mais humilde, mais agradecido… portanto, facilmente  feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser.

Não, tu não estás deprimido, tu estás é desocupado.
Ajuda a criança que precisa da tua mão, ajuda os mais velhos… assim  os jovens te ajudarão quando chegar a tua vez.
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é também gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão depois de nós.
Dá sem medida, e receberás sem medida.
Ama até te tornares um ser amado; mais ainda, converte-te no próprio Amor.
E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas.

O bem é maioritário, mas não se percebe porque é silencioso. Uma bomba faz muito mais barulho que um gesto de carinho, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carinhos que alimentam vidas.

Viver vale a pena, não é? Sabes, se Deus tivesse um frigorífico, teria numa fotografia tua colada na porta. Se ele tivesse uma carteira, a tua foto estaria nela. Ele envia-te flores a cada primavera. Ele envia-te um nascer do sol a cada manhã. Cada vez que tu queres falar, Ele escuta.  Ele poderia viver em qualquer ponto do Universo, mas escolheu o teu coração!

Deus não te prometeu dias sem dor, riso sem tristeza, sol sem chuva… porém Ele prometeu força para cada dia, consolo para as lágrimas, e luz para o caminho.

Facundo Cabral

Sete anos no Tibete

Mais filmes

Paraíso

Se, no teu centro
um Paraíso não puderes encontrar,
não existe chance alguma de, algum dia,
nele entrar.

Cecília Meireles

É agora!?

Se não fizermos nada (relativamente ao que está a suceder à nossa sociedade por causa da “crise” e das suas eminências pardas: os mercados, os investidores, o rating, e toda essa tralha materialista) corremos o risco de nos transformarmos em toxicodependentes do dinheiro! Praticamente já não passamos sem ele e sem as coisas que, com ele, podemos obter! Se ele nos falta dramaticamente, podemos até ressacopanicar (entrar em carência extrema, tolhidos de pánico). E como o pánico é perigoso, tóxico e de rápida propagação! É um terreno minado, o mais das vezes com armalhidas inventadas por nós. É prudente, para não dizer URGENTE, parar para pensar – e fazê-lo com honestidade -, e questionarmo-nos se não haverá coisas mais relevantes, algumas até vitais, com as quais nos deviamos preocupar em primeiro lugar. E há? Há, e todos sabemos quais são! Porque que é que então não fazemos nada? Eu pergunto-me, mas também não sei… ainda. Será que o momento, aquele agora que o presente parece estar a sugerir, não está ainda claro? Bem… pode ser, mas é sensato estarmos atentos e preparados – é o mínimo que podemos fazer -, pois a qualquer momento, e pressinto que em breve, seremos forçados a fazer mesmo alguma coisa de decisivo.

Amanhã quero fazer melhor do que fiz hoje. Se não conseguir, faço outra coisa.

Slavoj Zizek

“Embora as crises arranquem as pessoas à sua complacência, forçando-as a interrogar os aspectos fundamentais das suas vidas, a primeira reacção é de pânico, e o pânico conduz a um regresso ‘aos primeiros princípios’: as premissas fundamentais da ideologia dominante, longe de serem postas em dúvida, são reafirmadas ainda mais violentamente”

Rubem Alves

A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor… Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração… E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor…

Diz-me com quem andas…

… dir-te-ei quem és. Como as únicas pessoas que nos acompanham toda a vida somos nós mesmos, está dada a resposta!

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